Com muita humildade me arremesso pelos caminhos da poesia, buscando os vendavais da sorte na literatura, como arauto nos sonhos farfalhantes do “jovem” poeta, buscando o plácido benevolente dos amantes dos sólidos e firmes laços culturais de nossa Pátria. Pois, poesia é cultura.
Desde tenra criança já tinha em mente escrever livros, e espero que Deus me ilumine e este seja o primeiro de uma série, porque na sutileza destes versos vê-se uma alma apaixonada pela poesia, sensível às injustiças, defensor da fauna, da flora, dos índios e da ecologia como um todo. Sei admirar a beleza tropical das noites estreladas, mesmo diante da escalada desregrada do progresso, que tudo destrói ou transforma, matando o que de mais lindo Deus nos deu e vestindo de tristeza e luto o ambiente em que vivemos.
Sei admirar o sertão, o caboclo sertanejo, pois lá fui criado até meus dezessete anos, plantando roças, pés descalços e braços nus, carreando um carro-de-boi, tropeando pelos campos e florestas, onde tudo se abria para a vida jorrando uma nuvem de sonhos discretos, cresci vendo e vivendo os Sonhos e Realidades das gentes sertanejas e pobres.
E quem não admira o sertão?
– só quem ainda não ouviu o estridente canto da seriema mato-grossense; só quem ainda não ouviu os arroios dos boiadeiros e o repique de um berrante nos estradões infindos; só quem ainda não ouviu, alta madrugada, o chorar manhoso de um carro-de-boi e o grito do carreiro ecoando pelas chapadas distantes; só quem ainda não ouviu o martelar incessante de um machado zunindo pelos estirões valosos e se perdendo nas confusões das distâncias; só quem não sabe admirar a monotonia das 23:00 horas e o grito choroso de um urutau altas horas da noite. O sertão é uma poesia da vida.
Sou Advogado. Mesmo começando meus estudos aos dezessete anos, quando cursei o supletivo I à IV, em 1.972, consegui realizar o meu sonho de lutar pela justiça. Pois Deus abençoa quem luta por uma causa justa.
Fui criado na roça e hoje orgulho de minha profissão, mas trago comigo inconfundível admiração pela vida sertaneja e pelo pobre labutador caipira, que modesta e honradamente luta pela sua sobrevivência, sem aquele orgulho e egoísmo encontradiço nos jovens ricos e nos “poderosos” da cidade, que se julgam sabedores de tudo e donos do mundo.
Vão meus versos e poemas aos leitores, um pouco do meu retrato talvez, os meus primeiros passos nos caminhos da literatura, o orgulho e os ardentes entusiasmos do poeta, o otimismo vicejante nas mentes líricas e românticas.
Então, como autor estreante, espero receber de todos os leitores o perdão por alguma expressão direta e sem rodeios da obra, e as desculpas pela inexperiência e simplicidade de meus versos – fiéis retratos de minha personalidade – vindos aqui embalsamados em meus Sonhos & Realidades.
Camapuã – MS, 1992 (1ª edição) e 2008 (2ª edição)
Etevaldo Vieira de Oliveira

